lei nº 8.850, de 05 de agosto de 2015

 

dispõe sobre a implantação de medidas de informações a gestante e parturiente sobre a política nacional de atenção obstétrica e neonatal, visando, principalmente a proteção desta contra a violência obstétrica.

 

Art. 1º A presente Lei tem por objetivo a divulgação, no Município de Vitória, da Política Nacional de Atenção Obstétrica e Neonatal, visando, principalmente, a proteção das gestantes e das parturientes contra a violência obstétrica.

 

Art. 2º Considera-se violência obstétrica todo ato praticado pelo médico, pela equipe do hospital, por um familiar ou acompanhante que ofenda, de forma verbal ou física, as mulheres gestantes, em trabalho de parto ou, ainda no período de puerpério.

 

Art. 3º Para efeitos da presente Lei considera-se à ofensa verbal ou física, dentre outras, as seguintes condutas:

 

I – Tratar a gestante ou parturiente de forma agressiva, não empática, grosseira, zombeteira, ou de qualquer outra forma que a faça se sentir mal pelo tratamento recebido;

 

II – Recriminar a parturiente por qualquer comportamento como grita, chorar, ter medo, vergonha ou dúvidas;

 

III – Fazer graça ou recriminar a mulher por qualquer característica ou ato físico como, por exemplo, obesidade, pêlos, estrias, evacuação e outros;

 

IV – Não ouvir as queixas e dúvidas da mulher internada e em trabalho de parto;

 

V – Tratar a mulher de forma inferior, dando-lhe comandos e nomes infantilizados e diminutivos, tratando-a como incapaz;

 

VI – Fazer a gestante ou parturiente acreditar que precisa de uma cesariana quando esta não se faz necessária, utilizando de riscos imaginários ou hipotéticos não comprovados e sem a devida explicação dos riscos que alcançam ela e o bebê;

 

VII – Recusar atendimento de parto, haja vista este ser uma emergência médica;

 

VIII – Promover a transferência da internação da internação da gestante ou parturiente sem a análise e a confirmação prévia de haver vaga e garantia de atendimento, bem como tempo suficiente para que esta chegue ao local;

 

IX – Impedir que a mulher seja acompanhada por alguém de sua preferência durante todo o trabalho de parto.

 

X – Impedir a mulher de se comunicar com o “mundo exterior”, tirando-lhe a liberdade de telefonar, fazer uso de aparelho celular, caminhar até a sala de espera, conversar com familiares e com seu acompanhante;

 

XI – Submeter à mulher a procedimentos dolorosos, desnecessários ou humilhantes, como lavagem intestina, raspagem de pelos pubianos, posição ginecológicas com portas abertas, exames de toque por mais de um profissional;

 

XII – Deixar de aplicar anestesia na parturiente quando esta assim o requerer;

 

XIII – Proceder a episiotomia quando esta não é realmente imprescindível;

 

XIV – Manter algemadas das detentas em trabalho de parto;

 

XV – Fazer qualquer procedimento sem, previamente, pedir permissão ou explicar, com palavras simples, a necessidade do que está sendo oferecido ou recomendado;

 

XVI – Após o trabalho de parto, demorar injustificadamente a acomodar mulher no quarto;

 

XVII – Submeter à mulher e/ou bebê a procedimentos feitos exclusivamente para treinar estudantes;

 

XVIII – Submeter o bebê saudável a aspiração de rotina, injeções ou procedimentos na primeira hora de vida, sem que antes tenha sido colocado em contato pele a pele com a mãe e de ter tido a chance de mamar;

 

XIX – Retirar da mulher, depois do parto, o direito de ter o bebê ao seu lado no Alojamento Conjunto e de amamentar em livre demanda, salvo se um bebê, ou ambos necessitam de cuidados especiais;

 

XX – Não informar a mulher, com mais de 25 (vinte e cinco) anos ou com mais de 02 (dois) filhos sobre seu direito á realização de ligadura nas trompas gratuitamente nos hospitais públicos e conveniados ao Sistema único de Saúde (SUS);

 

XXI – Tratar o pai do bebê como visita e obstar seu livre acesso a acompanhar a parturiente e o bebê a qualquer hora do dia.

 

Art. 4º O Poder Executivo, por meio de sua Secretaria de Saúde, elaborará a Cartilha dos Direitos da Gestante e da Parturiente, propiciando a todas as mulheres as informações e esclarecimentos necessários para um atendimento hospitalar digno e humanizado, visando à erradicação da violência obstétrica.

 

§ 1º A cartilha será elaborada com uma linguagem simples e acessível a todos os níveis de escolaridade.

 

§ 2º A cartilha referida no caput deste artigo trará a integralidade do texto da portaria nº 1.067/GM, de 04 de julho de 2.005, que institui a Política Nacional de Atenção Obstétrica e Neonatal, e dá outras providências.

 

Art. 5º Os estabelecimentos hospitalares deverão expor cartazes informativos contendo as condutas elencadas nos incisos I a XXI do artigo 3º, bem como disponibilizar as mulheres um exemplar da Cartilha referida no artigo 4º desta Lei.

 

§ 1º Equiparam-se aos estabelecimentos hospitalares, para os efeitos desta Lei, os postos de saúde, as unidades básicas de saúde e os consultórios médicos especializados no atendimento da saúde da mulher.

 

§ 2º Os cartazes devem informar, ainda, os órgãos e trâmites para a denúncia nos casos de violências, quais sejam as referidas nas seguintes alíneas:

 

a) exigir o prontuário da gestante e da parturiente no hospital, que deve ser entregue sem questionamento e custos;

b) que a gestante ou parturiente escreva uma carta contando em detalhes que tipo de violência sofreu e como se sentiu;

c) se o seu parto foi no Sistema Único de Saúde – SUS, envie a carta para a Ouvidoria do Hospital com cópia para a Diretoria Clínica, para a Secretária Municipal de Saúde e para a Secretária Estadual de Saúde;

d) se o seu parto foi em hospital da rede privada, envie a carta para a Diretoria Clínica do Hospital, com copia para a Diretora do seu Plano de Saúde, para a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e para as Secretaria Municipal e Estadual de Saúde;

e) consulte um advogado para as outras instâncias de denúncia, dependendo da gravidade da violência recebida;

f) ligue para a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 (Decreto nº 7.393, de 15 de dezembro de 2010).

 

Art. 6º As despesas como a execução desta Lei correrão por conta de dotações orçamentárias próprias, consignadas no orçamento vigente, suplementadas, se necessárias.

 

Art. 7º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

 

Palácio Attílio Vivácqua, 05 de agosto de 2015.

 

namy chequer bou habib filho

PRESIDENte da câmara

 

Este texto não substitui o original publicado e arquivado na Câmara Municipal de Vitória.